"Falar sem aspas, amar sem interrogações, sonhar com reticências, viver e ponto final."

segunda-feira, 10 de setembro de 2012


Eu confesso que ao início tive medo, medo de começar uma nova viagem, uma nova etapa só porque o meu corpo pedia, o meu coração mandava e tu merecias. Pensei que seria realmente bom para os dois e que era isso que nos ia manter unidos, e foi, disso eu tenho a certeza.
 Foi tão bom que acabamos por adormecer imensas vezes nas nuvens, voamos juntos como dois pássaros livres. Deixamo-nos levar pelo vento, conhecemos bastante um do outro, demos conta de pormenores que apareciam ao longo da viagem. Tomamos conta do carinho que nos acompanhou e levamos o amor bem guardado nas nossas malas de viagem. Tudo era nosso, parecia mágico. Vimo-nos como nunca antes nos tínhamos visto, senti-me bem, confortável contigo e comigo mesma.
Mas as coisas boas não duram muito nem para sempre. Algum dia esta ida às nuvens teria que acabar e os pesadelos começar. São tudo fases da vida às quais, juntos, sempre conseguimos ultrapassar.
A aterragem foi sempre brusca e sempre o será. Sair do paraíso para voltar ao inferno é algo que nos custa imenso.  
A verdade é que temos a nossa maneira de continuar, de agir, de lidar com os problemas, Aquela maneira que torna as coisas mais fáceis e faz com que seja tudo ‘passageiro’ ou, pelo menos, com que tudo se pareça com tal.





quarta-feira, 29 de agosto de 2012


Ainda estimo o vaso de rosas que me deste. Tomo conta dele como se ainda alguma coisa valesse a pena, como se ainda fizesse sentido tê-las comigo.
Todas as manhãs, depois do pequeno-almoço, faço questão de as tirar da varanda, traze-las até à cozinha e rega-las.
No meu ponto de vista acho que o que não fazia realmente sentido nenhum era se me tivesse desfeito das flores. Flores tão bonitas, tão desenvolvidas, tão queridas não podem pagar pelos nossos erros.
 Neste momento são flores como todas as outras, merecem o meu cuidado e a minha responsabilidade. Não representam nada de extraordinário nem sequer se distinguem das outras, neste momento todos os vasos são iguais, a terra é toda a mesma e a água, com que rego todos eles, não se distingue. Vem tudo da mesma torneira.
A única coisa que me vem à cabeça quando olho para elas é o simples facto de elas ainda conseguiram ser mais fortes do que nós, e ainda se aguentarem enquanto que nós… nós já nem sequer existimos.